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[segunda-feira, 18 de agosto de 2008]

O Storyboard é o roteiro de um filme desenhado em seus mais importantes planos. É como se fosse uma história em quadrinhos do roteiro, sem balões, e com uma grande diferença: uma história em quadrinhos é a realização definitiva de um projeto, enquanto um storyboard é apenas uma etapa na visualização de algo que será realizado em outro meio, é um desenho-ferramenta que auxilia na produção do filme.
Diretores como Eisenstein, Fellini e Kurosawa desenhavam seus próprios stories. Na verdade, existe o storyboard que acompanha a produção de um filme, mais propriamente chamado “shooting board”, e o storyboard utilizado na fase de criação e no esforço de venda de um filme.
Assim, um storyboard cumpre três funções: ajuda os criadores a visualizar a estrutura do filme e discutir a seqüência dos planos, os ângulos, o ritmo, a lógica do filme, as expressões e atitudes dos personagens; ajuda a apresentar o roteiro para os responsáveis pela aprovação e liberação de verbas; orienta e auxilia a produção do filme.
No entanto, há uma década o uso do storyboard está
em declínio. Hoje em dia existem muito mais recursos visuais para simular o resultado final de um filme, para fins de apresentação. A internet e os bancos de imagens são uma fonte aparentemente infindável de “recortes de ações” com que são montadas as mensagens, os planos de forma muito mais rápida e talvez tão eficiente quanto. E porque raios então fazer um storyboard atualmente? Acredito eu que seja uma escolha muito pessoal. No meu caso, acho uma parte essencial para a fotografia do filme, pois é neste momento em que realmente os planos saem apenas do imaginário e dão o primeiro passo a sua realização.
Fazer um storyboard realmente dá bastante trabalho. Primeiro eu e o Giu nos reunimos e fizemos uma decupagem (lembram?) básica e as primeiras idéias foram esboçadas e as características gerais dos planos de todo o filme foram definidas. Depois disso várias outras reuniões foram feitas (quando digo reunião não pensem que é a coisa mais séria do mundo. Entendam como um bate-papo entre dois amigos que gostam de inventar coisas) e as cenas foram detalhadas plano a plano, com os ângulos que usaremos e também com os movimentos de câmera (traveling, grua, pan). Simultaneamente a esta conversa eu ia esboçando os quadros e íamos confirmando nossas escolhas.

Após isso, vem a ultima parte que é a do desenho propriamente dito, mas que não posso me queixar apesar de ser a parte de maior desgaste, pois desenhar é um dos prazeres que tenho na vida mesmo que durante muitos meses seja completamente esquecido (a qualidade pode ser duvidosa, mas um bom storyboard não precisa necessariamente de desenhos de nível alto).

É nesse momento então, em que realmente tomo as minhas decisões finais, penso em como ficarão aqueles desenhos transpostos para realidade, as cores do plano (ainda que faça o storyboard em preto e branco), e descubro os porquês de fazer desse jeito e não de outro, motivo pelo qual muitos planos caem e outros entram. Com o storyboard na mão, não importa se apenas rascunhado ou devidamente desenhado, tenho a confiança de fazer no set o plano que decidimos porque realmente ele foi pensado, repensado e tem de estar ali.

por Pedro Pipano

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